Pela “enésima” vez, a decisão era diferente daquela tomada no dia anterior, e no outro, no outro, no outro. E essa história já se arrastava há mais de três meses. Três meses de insônias acumuladas e de energias se esvaindo.
Desta vez, no entanto, Paola se mostrava mais impaciente com minha aprovação. E assim tem sido a vida dessa menina de 50 e poucos anos. Dia após dias buscando nos outros uma palavra que a leve a algum caminho. Qualquer caminho.
As decisões tomadas não se sustentam por mais que 24 horas. Volta o vazio. Tento explicar que está procurando na fonte errada. Ela retruca que uma colega de trabalho havia, enfim, aberto seus olhos. Estava decidida. Faria o curso, prestaria uma prova e seria aprovada.
Na semana anterior havia sido um atendente de lanchonete que tinha feito esse papel. Também houveram vendedoras de lojas, frentistas de postos, floristas. Cada um a colocou diante de algo “decidido”. Já havia se decidido a mudar de cidade, a fazer uma plástica, a trabalhar só meio-período, a aprender artesanato. Decidiu cada uma dessas coisas por 24 horas, até trocar a decisão por outra e outra e outra… As noites insônes a perseguem por mais de dois anos.
Olho nos seus olhos e não encontro ninguém. Ninguém para sustentar qualquer que seja a decisão tomada. É assim, a vida entregue aos outros. Se alguma coisa sair errado, a culpa vai ser deles também.
Um passinho para dentro de si e Paola encontraria um universo de possbilidades. Um universo rico de si mesma. Uma força que transcende os hábitos e a forma automática como tem levado a sua vida. Só um passinho ao encontro da sua Verdade Interior. Um passinho.
Falta ânimo, falta coragem. Seguro sua mão gelada e peço que tente, ao menos tente. Paola desaba em um choro sentido, de quem sabe o tamanho do seu abandono. Promete tentar. Tomare que ao menos essa decisão ela consiga sustentar por mais de 24 horas.
Paz.
Lilian
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